
O vento vem e vai, em uma indisplicência sincera, e quase sem ser notado ecoa por entre os vazios da cidade erguida aos nossos olhos, sem se fazer percebido em seu caminhar por entre nós.
Uma árvore ao longe, parece tão forte, extravagando seu amor pela vida. Para os olhos de muitos ela também se passa despercebida, e deixa na imensidão dos vazios a incerteza de seus anseios. Seus galhos tentam em vão, prender as lindas folhas que compõe o corpo exuberante daquela solitária árvore.
E então a força do vento, que ninguém havia dado valor, percorre por entre os traços daquelas folhas, e parecem cantar lindas cantigas que tocam as mesmas, que outrora pareciam tão forte, e que agora demonstram seu frágil elo. Desatentas à imobilidade e desapercebidas às mensagens de seus galhos, são hipnotizadas pela correria da cidade, e se deixam levar por fantasias singelas e poemas magnetizantes.
E aí em um segundo elas se vão. Deixam-se levar pelos ventos do descontentamento, e suas influências. Parece querer provar daquilo que viu passar por toda sua vida, e toda vez se debatia tentando se desprender. Até que seus desejos se tornam reais, e ao se romper o elo, provará de tudo aquilo que a hipnotizou.
Esquecendo suas raízes, seus galhos e caules. Aqueles que, a todo o momento, olharam por elas, que alimentaram seu corpo de poesias e sonhos de um mundo mais justo.
Mas sem querer, e sem perceber, veio o vento, despretensioso, ao mostrar suas pretensões. A qual só foi percebida ao flutuar por entre seus braços naquela imensidão nostálgica.
Em um lugar distante de nossos elos, nos vemos perdidos neste mundo tão grande e tão pequeno. Mesmo na contramão de nossos desejos, sem ter medo de se equivocar, vemos de baixo os grãos de pólen percorrer aquele mesmo caminho, e levados por aquele mesmo vento cruel.
A minha maior felicidade é ter a certeza de que ali perto de mim nascerá outras lindas folhas e frutos, aqueles que um dia serão iguais a mim, e que mais tarde, terão a mesma ingenuidade a qual me trouxe até aqui. Esse mesmo vento, trará a esperança de uma vida nova.
Mas ainda assim, não me entregarei ao acaso. E quando o ocaso vier, e com ele, outras lindas folhas como eu. Estarei aqui aos pés de sua raiz e de seus galhos. Tendo a certeza, de que utilizarei de todas as minhas forças para fertilizar seu solo, assim aquela árvore terá força e mais força para se erguer e alimentar aquelas que levarão a mensagem a outras iguais a elas.

A mensagem de que o mundo tenta nos enganar, nos enrolar, nos modificar. De forma despretensiosa, mas com uma pretensão mascarada em suas fantasias. E que devemos sempre ter a bondade como alimento vital. E não nos deixarmos levar por coisas fúteis, dando valor aos que sempre fizeram o bem por nós, transformando assim esse vazio em uma imensidão de bons frutos.
2 comentários:
ate que vc ta escrevendo bem hein...
ame os poetas como a ti mesmo
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